Ciência e Diversão ou Baratas e Beatbox

TED Ed - Lessons worth sharing

TED Ed - Lessons worth sharing

Eu adoro ciências, quando garoto eu me dedicava bastante as feiras de ciência na escola e sempre aproveita a oportunidade para aprender e testar coisas que não eram, infelizmente, do cotidiano de aulas.

Evidentemente que a paixão por ciência não algo que se limita aos bancos escolares, nesse sentido uma dica que considero muito bacana é o podcast Fronteiras da Ciência da UFRGS.

Outra ótima dica é assistir, e até estudar, as sempre ótimas palestras do TED, que aliás, são muito recorrentes aqui no blog.

Anatomia da perna da barata

Detalhe da perna de uma barata

A palestra tema do post de hoje me chamou a atenção porque é voltada para jovens e crianças e ela aborda o tema neurônios de uma forma absolutamente inusitada e divertida – talvez um pouco nojenta, também – o que é uma ótima forma de atrair a atenção para a ciência e estimular o desejo de pesquisar e aprender nas crianças, afinal elas é que serão os cientistas do futuro.

PS.: mesmo que você não goste de baratas vale a pena assistir o vídeo até o fim, eu garanto que você vai ficar surpreso e vai se divertir com a combinação de baratas e beatbox:

O Mito do Crescimento Populacional Ilimitado

Seria o crescimento da população mundial ilimitado?

Seria o crescimento da população mundial ilimitado?

As teorias mathusianas e neomauthusianas foram responsáveis por disseminar alguns grandes mitos em relação a um suposto crescimento populacional ilimitado e suas consequências nefastas para o planeta. De forma mais recente alguns utilizaram as ideias malthusianas – alaboradas por volta de 1798 – dentro do discurso verde, no sentido de que o crescimento populacional ilimitado levaria ao esgotamento de uma série de recursos naturais.
Uma questão importante que se deve levantar é se realmente a noção do crescimento populacional ilimitado tem algum fundamento concreto.

Para responder a essa pergunta vou recorrer, novamente, a Hans Rosling e mais uma de suas excelentes palestras no TED, em verdade já abordei o tema desta palestra em “A influência da religião nas taxas de natalidade”.

Qual será o número de crianças no mundo no futuro?

Qual será o número de crianças no mundo no futuro?

Rosling nos mostra nesta palestra que o número de crianças no mundo, atualmente na casa dos 2 bilhões, tende a permanecer neste nível, diferentemente do que muitas teorias catastrofistas previam. Isso se deve a claras tendências mundiais de diminuição das taxas de natalidade. O mesmo mundo que no ano de 1960 vias a maioria absoluta de seus países com taxas de natalidade altíssimas, muitos superiores a 5 filhos, está hoje com uma média de 2,4 filhos.

O número de crianças no mundo não irá crescer, vai permanecer em 2 bilhões

O número de crianças no mundo não irá crescer, vai permanecer em 2 bilhões

Ele demonstra que a superação da miséria absoluta e das altas taxas de mortalidade infantil são aspectos fundamentais para uma taxa de fertilidade estável e inferior a 3 filhos por mulher.

Neste sentido Rosling nos diz que a população mundial tende a ficar estável na casa dos 10 bilhões de habitantes, deixando para trás, de uma vez por todas, o mito do crescimento populacional ilimitado.

A população mundia será de 10 bilhões

A população mundia será de 10 bilhões

Um aspecto muito interessante a ser notado é que as pesquisas apresentadas por Rosling mostram que a tendência de diminuição das taxas de natalidade estão muito mais relacionadas a modernização das sociedades do que propriamente a níveis de riquesa e menos ainda a questões religiosas.

A modernização do Quatar foi fundamental para a diminuição de suas taxas de fertilidade

A modernização do Quatar foi fundamental para a diminuição de suas taxas de fertilidade

Para concluir a palestra ele finaliza nos alertando que quaisquer que sejam os cenários ou desafios que estejamos prevendo para o futuro do planeta, devemos nos preparar para este desafios tendo em mente que seremos um mundo com 10 bilhões de habitante.

10 bilhões, é este o tamanho final de nosso desafio.

PS.: é fundamental assistir a palestra a partir dos 10:40 quando Rosling demonstra, usando algumas caixas, como a população vai crescer dos atuais 7 bilhões para 10 bilhões de habitantes e como permanecerá neste patamar.

A influência da religião nas taxas de natalidade

Um dos meus palestrantes prediletos do TED, Hans Rosling, recentemente resolveu abordar um tema bastante espinhoso, a relação entre as religiões e as taxas de natalidade.
É argumento bastante comum, especialmente entre os não religiosos, que a religião seria uma das grandes vilãs no crescimento exponencial da população mundial nas últimas 5 décadas, indo dos 3 bilhões de habitantes em 1960 para os atuais 7 bilhões.
A pergunta fundamental da pesquisa de Hans Rosling foi justamente em que medida esta argumentação é verdadeira, ou seja, qual é o real impacto da religião no número de filhos por mulher?
A primeira dificuldade que Rosling relata é sobre o processo de classificar e delimitar de forma satisfatórias as religiões, para isso ele criou seu próprio modelo com três grandes grupos religiosos: as religiões orientais, o islamismo e o cristianismo, além de um outro pequeno grupo que ele chama de religiões não categorizados.

Mapa mundi relacionando religião e tamanho da população
O critério de Rosling determinava que uma religião adotada por mais de 50% da população seria considerada a religião predominante e portanto seria a representativa de cada país e de sua população.
A análise começa com dados de 1960 e o que se vê é que a maioria absoluta da população feminina mundial tinha em média de 5 a 7 filhos, independente de sua religião, aliás, em 1960 os únicos países em que o número de filhos era, em média, inferior a 3 eram os países cristãos e ricos (com alta renda per capita), a única exceção neste grupo era o Japão, rico e predominantemente de religião oriental.

Relação entre população, religião e fertilidade em 1960
Na medida em que os anos vão se passando, no entanto, uma tendência se mostra bastante clara (os infográficos do Sr. Rosling são sempre surpreendentemente fáceis de se entender), e essa tendência é a de que o números de filhos caiu drásticamente em todo o mundo, em um número enorme de países, independente de sua religião e “quase” que independente de sua riqueza (renda per capita).
Em 2010 praticamente 80% da população mundial estava com uma média inferior a 3 filhos por mulher e isso independente de sua religião. Nesse sentido uma outra questão fica muito clara quando olhamos para os poucos países que, agora no século 21, ainda permanecem com um número altíssimo de filhos por mulher, é a questão da miséria.
Em países com renda per capita muito baixa, considerados miseráveis, o número de filhos por mulher ainda está entre 5 e 7.

Relação entre população, religião e fertilidade em 2010
Esse conjunto de análises leva a conclusão de que são quatro os fatores mais significativos para a diminuição do número de filhos por mulher, são elas:

  1. Mais crianças sobrevivem: condições de relativa paz e mínimas condições de saúde que evitam a morte precoce.
  2. Não é mais necessários muitos crianças para o trabalho: modernização da economia e mínimas condições sociais de dignidade e proteção da criança.
  3. Mulheres com maiores taxas de educação formal e se integrando a força de trabalho formal.
  4. Planejamento familiar acessível.
Os 4 pilares para a diminuição das taxas de fertilidade feminina

Rosling conclui dizendo que a religião é um elemento muito pouco significativo na determinação das taxas de fertilidade feminina, e destaca que esse é um aspecto importante pois mostra que todas as religiões tem a capacidade de se adaptar a essa nova realidade mundial de fertilidade sem tem de abrir mão de suas tradições e convicções. Reforça ainda que a renda per capita também é um fator pouco determinante, desde que, esta renda seja mínima para superar o patamar da miséria e assim sua população possa começar a adentrar no cenário formado pelos 4 pilares destacados acima.