Sumo Business Blueprint – Review – Parte 1

Plano de NegóciosO que é o Sumo Business Blueprint?

O Sumo Business Blueprint é um curso desenvovido pelo pessoal da AppSumo, Noah Kagan e Neville Medhora. A promessa é lhe dar o passo-a-passo para encontrar uma ideia, testá-la e transformá-la em um negócio, tudo isso em apenas um fim de semana. E se você está pensando que esse é apenas um conjunto de técnicas e teorias é porque você não conhece o pessoal da AppSumo, a promessa deles não é apenas falar sobre como fazer, mas sim mostrar efetivamente como faz e montar um negócio na sua frente executando cada passo e te guiando para que você faça o mesmo com suas próprias ideias.

Como o Sumo Business Blueprint é estruturado?

O curso é dividido em 4 partes:

  • Part 1 – Learning the technical stuff
  • Part 2 – Let’s build a business right in front of your eyes
  • Part 3 – Killing the “Wantrepreneur”
  • Part 4 – The next steps to take

O curso é formado por vídeos e pequenos textos que complementam ou esclarecem o vídeo, digamos que 90% do curso é video e apenas 10% texto. Tanto os videos quanto os textos são feitos de forma bastante informal e direta, não há enrolação, os caras vão direto ao ponto naquilo que precisa ser falado e naquilo que precisa ser mostrado.

Uma observação importante é que se você não domina o inglês, infelizmente você não vai conseguir acompanhar o curso. Como eu disse a maior parte do curso é em video e esses caras não falam como CEOs de companhias tradicionais, eles falam como qualquer jovem americano falaria em uma conversa de amigos, ou seja, com gírias, piadas e de forma relativamente rápida, portanto se você não é capaz de, pelo menos assistir a um seriado sem legenda, por exemplo, você provavelmente não conseguirá tirar o máximo de proveito deste curso.

Aliás, a forma de falar, do Noah e do Neville neste curso pode irritar alguns que poderiam esperar algo “mais sério”, eu diria “mais careta”. O fato é que a forma deles de falar e de conduzir o curso me parece excelente. Eles conseguem algo que eu considero muito importante (importante para mim, pessoalmente, inclusive) que é tirar toda a formalidade, o peso e a dificuldade do mundo do empreendedorismo.

Tenho certeza que muitos dos que estão lendo este post já pensaram em começar um negócio e desistiram sem nem mesmo tentar e isso por começar a ver dificuldades demais no processo, é aí que o Sumo Business Blueprint tem um grande valor, o curso te faz perceber que não precisa ser difícil e nem é muito trabalhoso, não só porque eles dizem isso, mas porque eles fazem as coisas bem diante dos seus olhos, algumas vezes em pouquíssimos minutos.

Mas um negócio criado em alguns poucos minutos? Isso é mesmo possível?

A resposta rápida é: sim, é possível.

A resposta um pouco mais longa é: o primeiro objetivo do Sumo Business Blueprint é mostrar que praticamente qualquer ideia pode se tornar um negócio, depois disso eles mostram como validar essa ideia, ou seja, como verificar se ela funciona e se tem real potencial para se tornar um bom negócio e isso pode sim, ser feito em pouquíssimo tempo, em alguns poucos minutos até.

A ideia é que você teste e ponha a prova diversas ideias de negócios em pouquíssimo tempo para que você realmente só invista tempo e dinheiro naquelas que se mostrarem realmente promissoras, ou seja, você não vai dedicar dois anos, ter enormes dores de cabeça com burocracias e gastar milhares de reais para só então descobrir que sua ideia de negócio não era tão boa quanto parecia. Você vai poder testar seu negócio em pouquíssimo tempo e muitas vezes sem gastar absolutamente nada.

Mas isso parece bom demais para ser verdade…

É eu sei que parece bom demais para ser verdade e eu mesmo teria grande dificuldade para acreditar nisso tudo que escrevi aí em cima, mas aí está outro grande valor do Sumo Business Blueprint, ele consegue ser inspirador, criar “momentum” e fazer você agir. E para ser bastante sinceramente, se fosse só isso, para mim o curso já se pagaria.

E você recomenda o curso?

Se você realmente ainda está se perguntando se eu recomendo este curso, eu realmente não estou escrevendo bem este post, porque eu fiquei muito empolgado com o curso e definitivamente recomendo.

Estou dizendo isso logo de cara antes mesmo de terminar a série de posts de review porque a oferta do curso com preço especial lá na AppSumo é por tempo limitado, então se você esperar por toda minha análise aqui talvez você perca a oferta, mas não se preocupe, pois o curso continuará disponível em seu preço normal e ainda assim valerá a pena.

Talvez você seja do tipo desconfiado que quer mais informações, não tem problema nos próximos posts eu vou analizar cada uma das partes do curso Sumo Business Blueprint e depois vou compartilhar minhas próprias experiências com o que aprendi no curso, afinal não basta aprender tudo isso se não for para colocar tudo em prática.

Até o próximo post.

Caso você tenha perguntas específicas sobre o curso use os comentários e farei o máximo para respondê-las.

Leia também as outras partes deste review:

Cursos AppSumo – Review

Sumo Business Blueprint – Review – Parte 2

Sumo Business Blueprint – Review – Parte 3

Cursos AppSumo – Review

Acredito que seja um comportamento bem natural ao comprarmos algo, ficarmos na dúvida se aquele foi um bom negócio e que benefícios efetivamente teremos com essa aquisição.

Há alguns dias eu sugeri a alguns amigos que comprassem dois cursos da AppSumo. Fiz essa sugestão porque eu gosto bastante dos cursos e produtos que eles oferecem, mas de fato, eu não havia testado especificamente os cursos que estava sugerindo, então para garantir que minha sugestão não era apenas por confiança e palpite, resolvi adiquirir os dois cursos aos quais eu me referia e fazer um review completo para ajudar estes amigos a tomarem uma decisão baseada em uma análise mais completa.

Os cursos que adiquiri foram o Kopywriting Kourse e o Sumo Business Blueprint e você pode encontrar ambos na site da AppSumo. Adiquiri os cursos no início deste último fim de semana e até agora já assisti a mais de 70% do material e vou compartilhar com vocês minhas impressões e aprendizados. Cada um deles indo passo-a-passo, da mesma forma que os próprios cursos são estruturados.

Mas o que é essa tal AppSumo?

Bem meu caro, se você chegou aqui de paraquedas e nem mesmo sabe o que é a AppSumo, não se preocupe, eu lhe digo.

A AppSumo é uma startup que oferece ofertas especiais de cursos e produtos ligados a marketing digital, internet, programação e empreendedorismo digital. A cada dia eles trazem uma nova oferta com descontos especiais por tempo limitado.

Minha sugestão é que para que você clique no link da AppSumo e se cadastre (se você se interessa por programação, internet, marketing digital e empreendedorismo digital, evidentemente). Mesmo que você não compre nada você certamente terá ótimas ideias a partir do que eles fazem e além disso eles sempre disponibilizam algum curso ou produto gratuitamente no site então você não tem nada a perder e muito a ganhar.

No próximo post eu começo comentando os cursos Sumo Business Blueprint e Kopywriting Kourse, fique ligado.

Para você não perder nenhum post destes reviews veja os links abaixo:

Sumo Business Blueprint:

Sumo Business Blueprint – Review – Parte 1

Sumo Business Blueprint – Review – Parte 2

Sumo Busniess Blueprint – Review – Parte 3

Os Falsos Descontos das Compras Coletivas

Sabia que os grandes descontos que você vê nos sites de compras coletivas nem sempre são verdadeiros? Aprenda a não cair nesta armadilha.

Uma das grandes estratégias dos sites de compras coletivas para nos convencer a comprar suas ofertas é nos mostrando os enormes descontos oferecidos, mas nem sempre estes descontos são verdadeiros.

Neste post vou mostrar para vocês um caso específico e mostrar como detectar se a oferta que você se interessou é boa de verdade ou se ela apenas parece atraente, mas é apenas uma estratégia para fazê-lo comprar.

O falso desconto

Há já alguns dias tenho recebido através do Pank a oferta do Autorrádio Wave da Multilaser, um autorrádio com entrada USB, rádio FM, painel digital, entrada para cartão SD e entrada para iPod. Me pareceu um produto interessante e o preço não era nada mau, além de estar com um “desconto” de 48%. O que antes custava R$159,90 estava agora por apenas R$83,50.

Oferta da Pank de autoradio wave da Multilaser

Um desconto de 48% certamente é um desconto que impressiona a qualquer um e algumas pessoas compram até o que não precisam quando se deparam com um desconto destes, “apenas para não perder esse desconto”, diriam elas.

Descobrindo a farsa

Com eu disse a oferta me interessou, mas eu tenho o hábito de pesquisar preços antes de comprar qualquer coisa – alguns diriam que sou chato, outros que sou pão-duro, mas vocês verão  que esse hábito dá bons resultos -, então fui lá eu pesquisar o preço deste autorrádio wave da multilaser. Fui direto ao BuscaPé e fiquei surpreso com os resultados.

Os reais valores

Os resultados apresentados pelo BuscaPé mostravam que os tais R$83,50 não era o preço mais baixo do mercado e pior, os tais 48% de desconto não passavam de 23,7% na média. Os preços variavam (na data da pesquisa) de R$74,00 (Magazine Luiza) a $189,91 (Walmart), com um preço médio de R$109,50.

Analisando os resultados

Não posso dizer aqui que o preço praticado pelo Pank não seja um bom preço, havia apenas duas lojas com preços mais baixos, e também não posso dizer que o desconto seja totalmente falso. O que posso dizer, no entanto, é que os sites de compras coletivas, usualmente, fazem as ofertas parecerem melhor do que elas realmente são e muitas pessoas caem nessa armadilha.

Se pegarmos o preço anunciado pelo Walmart, por exemplo, o mais alto da pesquisa, o mesmo produto, se vendido pelos mesmos R$83,50 estaria com um desconto superior a 56% e isso não seria propaganda enganosa, mas certamente os 56% de desconto fariam a oferta parecer melhor do que ela realmente é.

A dica

A dica para você não cair na tentação dos grandes descontos e acabar fazendo um negócio que não era tão bom quanto parecia é muito simples: faça pesquisa de preços! E nem é tão trabalhoso quanto parece, basta acessar serviços como o BuscaPé e BondFaro, por exemplo, e você terá em poucos segundos os resultados e poderá avaliar melhor se aquela oferta tentadora do seu site preferido de compras coletivas era realmente tão boa quanto parecia.

A gente se acostuma

Texto de Marina Colasanti, “Eu sei, mas não devia” do livro de mesmo nome, recitado por Antônio Abujamra:

Eu sei, mas não devia

Marina Colasanti

Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.

A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.

A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.

A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.

A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.

A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.

E você, com o que já se acostumou?

Créditos: 1) a imagem que ilustra este post é de José L. Pedroso e pode ser vista no Flickr.

2) o texto foi retirado do site Releituras.

Como escrever melhor?

Canetas e página em brancoEste blog ainda está em seus primeiros dias de nascimento e embora eu já tenha tido outros blogs, alguns que duraram anos e nos quais eu escrevia diariamente, o fato é que começar um blog não é tarefa tão fácil quanto pode parecer a primeira vista, em verdade o difícil, evidentemente, não é começar um blog, mas sim escrever com qualidade e com frequência.

É comum ouvir alguém falar sobre bloqueio criativo sempre que se depara com uma página em branco, mas saiba que existem soluções simples para isso.

Imagine um jornalista, por exemplo, é muito pouco provável que ele seja excepcionalmente mais criativo que eu ou você, possível leitor, apesar disso ele é capaz de entregar textos de qualidade diariamente para manter o emprego e não só isso, além de escrever os textos, ele também consegue assuntos interessantes, ou ao menos, lhes dá uma forma interessante para prender a atenção do leitor. Mas qual é, então, o segredo para escrever melhor?

A dica de um autor de best sellers

Há algumas semanas Seth Godin postou em seu blog um texto intitulado “Talker’s block“, no qual falava que o tal “bloqueio criativo” que nos afeta tanto na hora de escrever não existe quando vamos falar, o motivo é muito simples, e é aí que reside a chave para escrever melhor, nós exercitamos a fala o tempo todo, temos anos de prática diária no falar, tivemos inúmeras oportunidades para ver o que dava bons ou maus resultados ao falar, seja quanto as expressões usadas, quanto a forma de começar, quanto as palavras ou tom de voz usados.

Para escrever, no entanto, poucos de nós teve o mesmo nível de experiência ou o mesmo volume de treinamento.

A dica de Seth Godin então é apenas que você apenas escreva, escreva diariamente e escreva em público, em um blog, por exemplo. No início o processo pode ser penoso e difícil, mas com o tempo escrever vai não só se tornar mais fácil, como você também passará a escrever melhor.

É uma dica simples, mas muito eficiente e que eu já estou pondo em prática.

 

Se você se interessa por marketing, comunicação e empreendedorismo eu recomendo fortemente que você conheça o blog de Seth Godin e também alguns de seus livros:

Para que serve a utopia? e o direito de sonhar

“Se não nos deixarem sonham, não os deixaremos dormir.”

Eduardo Galeano

 

Sendo a utopia algo inalcançável, qual seria sua utilidade? De que poderia servir algo que podemos apenas imaginar, jamais construir, jamais praticar. A resposta quem dá, de forma extremamente elegante, é Fernando Birri.

Nesta entrevista Eduardo Galeano nos conta a resposta de Birri, nos fala que a utopia está no horizonte e que sim, nós nunca a alcançaremos, mas ela está lá justamente para nos fazer caminhar.

Eu diria que ela está no horizonte para nos mover em direção a algo melhor, cada passo em sua direção não nos aproxima dela, pois ela também se move um passo, mas o importante é que já não estamos mais onde estávamos, já demos um passo em direção a algo melhor, já demos um passo em direção a um mundo diferente, um mundo no qual se espera superar todas as pequenezas que, neste mundo “trapalhão e fodido”, cresceram que nos atrapalham a viver.

Na sequência da entrevista Galeano lê um trecho de seu texto “El Derecho al Delirio”, no qual nos sugere sonhar, talvez sonhar de olhos abertos, com diria Birri, sonhar com um mundo que está além da infâmia, um mundo no qual nossos direitos não são apenas os de ver, ouvir e calar, mas um mundo no qual as pessoas é que serão valorizadas e não as coisas, um mundo no qual a estupidez será um crime, no qual os políticos deixarão de acreditar que as pessoas podem se alimentar de apenas promessas, no qual justiça e liberdade finalmente voltarão a caminhar juntas, no qual nem a morte e nem o dinheiro poderá converter um canalha em um virtuoso cavalheiro.

O mundo para o qual devemos caminhar, um passo de cada vez e no qual talvez nunca cheguemos, mas ainda assim, continuar caminhando.

Existe amor a primeira vista?

Devem existir pesquisas de renomados e brilhantes cientistas tentando responder a esta pergunta e não é para menos, muitos devem se perguntar se efetivamente existe amor a primeira vista, mas devo alertar você, possível leitor, que este texto não é uma análise destes estudos, não é uma resumo da ciência por trás do amor a primeira vista, não é uma descrição dos processos químicos que inundam nosso cérebro no momento em que você se apaixona, não é tampouco, uma discussão sobre os conceitos de amor ou de paixão, não é uma análise da pura razão científica (aquela razão pura, a razão que cria monstros), mas dizer o que este texto não é, não basta, é preciso dizer o que ele é, e de forma bem simples ele é apenas um pensamento pessoal e despretensioso, algumas ideias e experiências pessoais sobre a noção de amor a primeira vista.

Sendo bastante direto, minha resposta é que sim, existe amor a primeira, ou talvez, de forma mais precisa é que sim, é possível existir amor a primeira vista, mas isso certamente não é algo ordinário, comum, é um acontecimento que dependem de muitos fatores, alguns são pessoais internos e outros dependem do outro.

Aspectos internos – O Eu da história

Nós certamente vemos o mundo como queremos ver, ou seja, uma pessoa deprimida vai enxergar tristeza em tudo a sua volta, enquanto uma pessoa alegre enxergará alegria e novas possibilidades, o racista enxergará negros, índios e orientais pelas ruas enquanto que uma pessoa normal (sim, esta é uma provocação) enxergará apenas pessoas, o surfista enxergará a possibilidade de se divertir muito em um dia de sol, enquanto o hipocondríaco enxergará um câncer de pele.

Meu ponto é que só poderá existir amor à primeira vista para aquele que é capaz de enxergar amor, para aquele que está disposto a enxergar amor, para aquele que está disposto a se apaixonar.

Aspectos externos – O Outro da história

Da mesma forma que vemos o mundo como queremos ver, também acredito que o outro afeta nossa forma de ver o mundo. Existem pessoas que no primeiro instante de conversa conseguem te deixar desanimado, outras que conseguem te deixar irritado, outras que te deixam inseguro, mas há também aquelas que são uma injeção de ânimo, aquelas que te motivam, aquelas que te desafiam a ser melhor, aquelas que te alegram. Existem pessoas com as quais nos ligamos facilmente, os motivos são diversos, mas acredito que o fundamental é que elas nos fascinam, enxergamos nela algo de nós mesmos, mas também algo que gostaríamos de ser.

Amor a primeira vista, o Eu e o Outro

Acredito então que jamais haverá amor à primeira vista entre duas pessoas deprimidas ou amor à primeira vista entre pessoas medianas, ordinárias, acredito que só pode haver amor à primeira vista se ao menos uma das partes for extraordinária.

Só uma pessoas extraordinária poderia causar tamanho impacto em nós, a ponto de chamarmos isso de amor a primeira vista. Somente uma pessoas extraordinária poderia despertar em nós o desejo de ser, de alguma forma, igual, o desejo de superarmos nossas próprias limitações e sermos também, extraordinários.

 

Uma pergunta válida a essa altura do texto seria, mas de onde veio esta ideia? Devo dizer que duas pessoas me despertaram esta ideia, duas pessoas cujas histórias são extraordinárias, Elis Regina e Frida Kahlo. Costumo dizer que Elias Regina e Frida Kahlo me fazem acreditar que amor a primeira vista é possível.

 

Elis ReginaElis Regina

Ouvir Elis Regina cantar é uma experiência única, ela parece absolutamente verdadeira, diferente destas tantas cantoras de hoje com vozes “platificadas”, atificiais, mas Elias era muito mais do que voz e canto, ela também fascinava pela alegria, pelo lindo sorriso, pela segurança em si mesma, pela coragem de falar o que pensava, por ser linda.

 

Frida Kahlo

Frida Kahlo - auto retrato

Provavelmente não é a beleza o que me fascina em Frida Kahlo, mas sim sua originalidade tanto em sua arte como em si mesma, tanto sua imagem, seu corpo e seu rosto quanto seu jeito de ver o mundo e seu jeito de ser, eram únicos. Frida causava fascínio porque não era fácil de decifrar, não era previsível, era alguém que certamente lhe traria vivências únicas.

Um dos melhores e mais originais presentes que já ganhei foi o Diário de Frida Kahlo (The Diary of Frida Kahlo – An intimate self-portrait), este livro é o facsimile do diário de Frida em seus últimos 10 anos de vida com seus desenhos, poesias, comentários cotidianos, comentários de angustia, enfim apenas um diário pessoal, mas de uma pessoal fascinante, extraordinária. Recomendo fortemente que você conheça.