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A influência da religião nas taxas de natalidade

Um dos meus palestrantes prediletos do TED, Hans Rosling, recentemente resolveu abordar um tema bastante espinhoso, a relação entre as religiões e as taxas de natalidade.
É argumento bastante comum, especialmente entre os não religiosos, que a religião seria uma das grandes vilãs no crescimento exponencial da população mundial nas últimas 5 décadas, indo dos 3 bilhões de habitantes em 1960 para os atuais 7 bilhões.
A pergunta fundamental da pesquisa de Hans Rosling foi justamente em que medida esta argumentação é verdadeira, ou seja, qual é o real impacto da religião no número de filhos por mulher?
A primeira dificuldade que Rosling relata é sobre o processo de classificar e delimitar de forma satisfatórias as religiões, para isso ele criou seu próprio modelo com três grandes grupos religiosos: as religiões orientais, o islamismo e o cristianismo, além de um outro pequeno grupo que ele chama de religiões não categorizados.

Mapa mundi relacionando religião e tamanho da população
O critério de Rosling determinava que uma religião adotada por mais de 50% da população seria considerada a religião predominante e portanto seria a representativa de cada país e de sua população.
A análise começa com dados de 1960 e o que se vê é que a maioria absoluta da população feminina mundial tinha em média de 5 a 7 filhos, independente de sua religião, aliás, em 1960 os únicos países em que o número de filhos era, em média, inferior a 3 eram os países cristãos e ricos (com alta renda per capita), a única exceção neste grupo era o Japão, rico e predominantemente de religião oriental.

Relação entre população, religião e fertilidade em 1960
Na medida em que os anos vão se passando, no entanto, uma tendência se mostra bastante clara (os infográficos do Sr. Rosling são sempre surpreendentemente fáceis de se entender), e essa tendência é a de que o números de filhos caiu drásticamente em todo o mundo, em um número enorme de países, independente de sua religião e “quase” que independente de sua riqueza (renda per capita).
Em 2010 praticamente 80% da população mundial estava com uma média inferior a 3 filhos por mulher e isso independente de sua religião. Nesse sentido uma outra questão fica muito clara quando olhamos para os poucos países que, agora no século 21, ainda permanecem com um número altíssimo de filhos por mulher, é a questão da miséria.
Em países com renda per capita muito baixa, considerados miseráveis, o número de filhos por mulher ainda está entre 5 e 7.

Relação entre população, religião e fertilidade em 2010
Esse conjunto de análises leva a conclusão de que são quatro os fatores mais significativos para a diminuição do número de filhos por mulher, são elas:

  1. Mais crianças sobrevivem: condições de relativa paz e mínimas condições de saúde que evitam a morte precoce.
  2. Não é mais necessários muitos crianças para o trabalho: modernização da economia e mínimas condições sociais de dignidade e proteção da criança.
  3. Mulheres com maiores taxas de educação formal e se integrando a força de trabalho formal.
  4. Planejamento familiar acessível.
Os 4 pilares para a diminuição das taxas de fertilidade feminina

Rosling conclui dizendo que a religião é um elemento muito pouco significativo na determinação das taxas de fertilidade feminina, e destaca que esse é um aspecto importante pois mostra que todas as religiões tem a capacidade de se adaptar a essa nova realidade mundial de fertilidade sem tem de abrir mão de suas tradições e convicções. Reforça ainda que a renda per capita também é um fator pouco determinante, desde que, esta renda seja mínima para superar o patamar da miséria e assim sua população possa começar a adentrar no cenário formado pelos 4 pilares destacados acima.

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