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Para que serve a utopia? e o direito de sonhar

“Se não nos deixarem sonham, não os deixaremos dormir.”

Eduardo Galeano

 

Sendo a utopia algo inalcançável, qual seria sua utilidade? De que poderia servir algo que podemos apenas imaginar, jamais construir, jamais praticar. A resposta quem dá, de forma extremamente elegante, é Fernando Birri.

Nesta entrevista Eduardo Galeano nos conta a resposta de Birri, nos fala que a utopia está no horizonte e que sim, nós nunca a alcançaremos, mas ela está lá justamente para nos fazer caminhar.

Eu diria que ela está no horizonte para nos mover em direção a algo melhor, cada passo em sua direção não nos aproxima dela, pois ela também se move um passo, mas o importante é que já não estamos mais onde estávamos, já demos um passo em direção a algo melhor, já demos um passo em direção a um mundo diferente, um mundo no qual se espera superar todas as pequenezas que, neste mundo “trapalhão e fodido”, cresceram que nos atrapalham a viver.

Na sequência da entrevista Galeano lê um trecho de seu texto “El Derecho al Delirio”, no qual nos sugere sonhar, talvez sonhar de olhos abertos, com diria Birri, sonhar com um mundo que está além da infâmia, um mundo no qual nossos direitos não são apenas os de ver, ouvir e calar, mas um mundo no qual as pessoas é que serão valorizadas e não as coisas, um mundo no qual a estupidez será um crime, no qual os políticos deixarão de acreditar que as pessoas podem se alimentar de apenas promessas, no qual justiça e liberdade finalmente voltarão a caminhar juntas, no qual nem a morte e nem o dinheiro poderá converter um canalha em um virtuoso cavalheiro.

O mundo para o qual devemos caminhar, um passo de cada vez e no qual talvez nunca cheguemos, mas ainda assim, continuar caminhando.

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