Rodrigo Alexandre Coelho Blog

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This article was written on 08 Oct 2011, and is filled under Pessoal.

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Existe amor a primeira vista?

Devem existir pesquisas de renomados e brilhantes cientistas tentando responder a esta pergunta e não é para menos, muitos devem se perguntar se efetivamente existe amor a primeira vista, mas devo alertar você, possível leitor, que este texto não é uma análise destes estudos, não é uma resumo da ciência por trás do amor a primeira vista, não é uma descrição dos processos químicos que inundam nosso cérebro no momento em que você se apaixona, não é tampouco, uma discussão sobre os conceitos de amor ou de paixão, não é uma análise da pura razão científica (aquela razão pura, a razão que cria monstros), mas dizer o que este texto não é, não basta, é preciso dizer o que ele é, e de forma bem simples ele é apenas um pensamento pessoal e despretensioso, algumas ideias e experiências pessoais sobre a noção de amor a primeira vista.

Sendo bastante direto, minha resposta é que sim, existe amor a primeira, ou talvez, de forma mais precisa é que sim, é possível existir amor a primeira vista, mas isso certamente não é algo ordinário, comum, é um acontecimento que dependem de muitos fatores, alguns são pessoais internos e outros dependem do outro.

Aspectos internos – O Eu da história

Nós certamente vemos o mundo como queremos ver, ou seja, uma pessoa deprimida vai enxergar tristeza em tudo a sua volta, enquanto uma pessoa alegre enxergará alegria e novas possibilidades, o racista enxergará negros, índios e orientais pelas ruas enquanto que uma pessoa normal (sim, esta é uma provocação) enxergará apenas pessoas, o surfista enxergará a possibilidade de se divertir muito em um dia de sol, enquanto o hipocondríaco enxergará um câncer de pele.

Meu ponto é que só poderá existir amor à primeira vista para aquele que é capaz de enxergar amor, para aquele que está disposto a enxergar amor, para aquele que está disposto a se apaixonar.

Aspectos externos – O Outro da história

Da mesma forma que vemos o mundo como queremos ver, também acredito que o outro afeta nossa forma de ver o mundo. Existem pessoas que no primeiro instante de conversa conseguem te deixar desanimado, outras que conseguem te deixar irritado, outras que te deixam inseguro, mas há também aquelas que são uma injeção de ânimo, aquelas que te motivam, aquelas que te desafiam a ser melhor, aquelas que te alegram. Existem pessoas com as quais nos ligamos facilmente, os motivos são diversos, mas acredito que o fundamental é que elas nos fascinam, enxergamos nela algo de nós mesmos, mas também algo que gostaríamos de ser.

Amor a primeira vista, o Eu e o Outro

Acredito então que jamais haverá amor à primeira vista entre duas pessoas deprimidas ou amor à primeira vista entre pessoas medianas, ordinárias, acredito que só pode haver amor à primeira vista se ao menos uma das partes for extraordinária.

Só uma pessoas extraordinária poderia causar tamanho impacto em nós, a ponto de chamarmos isso de amor a primeira vista. Somente uma pessoas extraordinária poderia despertar em nós o desejo de ser, de alguma forma, igual, o desejo de superarmos nossas próprias limitações e sermos também, extraordinários.

 

Uma pergunta válida a essa altura do texto seria, mas de onde veio esta ideia? Devo dizer que duas pessoas me despertaram esta ideia, duas pessoas cujas histórias são extraordinárias, Elis Regina e Frida Kahlo. Costumo dizer que Elias Regina e Frida Kahlo me fazem acreditar que amor a primeira vista é possível.

 

Elis ReginaElis Regina

Ouvir Elis Regina cantar é uma experiência única, ela parece absolutamente verdadeira, diferente destas tantas cantoras de hoje com vozes “platificadas”, atificiais, mas Elias era muito mais do que voz e canto, ela também fascinava pela alegria, pelo lindo sorriso, pela segurança em si mesma, pela coragem de falar o que pensava, por ser linda.

 

Frida Kahlo

Frida Kahlo - auto retrato

Provavelmente não é a beleza o que me fascina em Frida Kahlo, mas sim sua originalidade tanto em sua arte como em si mesma, tanto sua imagem, seu corpo e seu rosto quanto seu jeito de ver o mundo e seu jeito de ser, eram únicos. Frida causava fascínio porque não era fácil de decifrar, não era previsível, era alguém que certamente lhe traria vivências únicas.

Um dos melhores e mais originais presentes que já ganhei foi o Diário de Frida Kahlo (The Diary of Frida Kahlo – An intimate self-portrait), este livro é o facsimile do diário de Frida em seus últimos 10 anos de vida com seus desenhos, poesias, comentários cotidianos, comentários de angustia, enfim apenas um diário pessoal, mas de uma pessoal fascinante, extraordinária. Recomendo fortemente que você conheça.

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